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Bug Boom das narrativas interativas

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O New York Times chamou 2013 de o ano do interactive storytelling, em função da disseminação na web dos recursos interativos associados a formas de contar histórias que integram textos, vídeos, fotografias e gráficos. Essas obras utilizam diferentes plataformas, como websites ou aplicativos. Multimídias, transmídias, crossmídias.Têm conteúdos colaborativos, participativos, interativos. De lá pra cá essa onda só tem aumentado: um verdadeiro boom internacional de obras digitais e interativas.

As tecnologias permitem uma ampla gama de experimentações, que por vezes driblam os programas para os quais as tecnologias foram criadas, criam novas poéticas e linguagens. Esse campo fértil, ainda em formação, se reflete na diversidade de termos: webdocumentário, documentário interativo, hipervídeo, literatura eletrônica, narrativa digital, mapas afetivos e sonoros. A proposta inicial do Bug 404 é fazer um mapeamento e divulgar conteúdo crítico sobre esse novo campo. Fernanda Gentil nos fala como essas obras já nascem digital. Claudia Holanda mostra como os mapas ganham som nos mapas sonoros. Em entrevista para Julia Salles, ao nosso projeto Caixa-Preta, Sandra Gaundenzi aponta como as narrativas interativas factuais vão muito além do campo do documentário.

Há documentários interativos de grande produção, já considerados clássicos, como Highrise (highrise.nfb.ca) ou Prison Valley (prisonvalley.arte.tv). Projetos mais simples na web como La Vie a Sac (lavieasac.com).  Obras com aplicativos e mídias locativas, como Walking the Edit (walking-the-edit.net). Webreportagens ou hipervídeos como The Russia Left Behind ou Rwanda, Portraits du Changement. Mapas sonoros como AudioMobile.  Em paralelo a essa produção, há o surgimento de uma sérei de redes e eventos internacionais, como os programas próprios para webdocumentário do Sundance (New Frontier Story Lab) e do International Film Festival of Documentary (IDFA DocLab). Como a Eletronic Literature Organization (ELO).

No Brasil, há alguma produção incipiente já alguns anos, assim como iniciativas recentes como Nós do Forte (nosdoforte.net)  e o Som dos Sinos (somdossinos.com.br). O Bug 404 faz um mapeamento dessas obras chamado Bug Brasil. O que se nota, por enquanto, é que a produção artística, crítica e a fomação de público não tem acompanhado o ritmo desse boom internacional. O Bug 404 vem tentar contribuir para o cenário brasileiro ao pesquisar e disponibilizar informações sobre as obras de referência internacional.  Trata-se de um mapeamento crítico voltado para a realização de novas obras e para formação de público e uma rede de interessados e realizadores. As obras serão mapeadas em função da diversidade de propostas, estratégias, procedimentos e características das obras. A idéia é experimentar, seguir errante na realização e compartilhamento de novas obras, poética e linguagens.

Vamos nessa!

André Paz
André Paz é professor da UNIRIO, pesquisador, diretor e produtor. Faz pós doutorado sobre narrativas interativas (UFRJ) e dirige projetos de documentário interativo.

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