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E os mapas ganharam sons

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Estamos mergulhados em som. Por mais silencioso que um ambiente possa ser, sempre estaremos ouvindo algo. Afoito e  insidioso, o som, tal como o desejo, quer fluir, percorrer territórios.  O espaço e o som possuem íntimas relações.  Em seu curso solto, essa matéria invisível repleta de significados compõe a mitologia de um lugar.

Com a consolidação da Internet, desde 2000, os sons ganharam centralidade num tipo característico de mapa, o mapa sonoro (sound maps).  Nessa mídia, a experiência aural é priorizada, permitindo a aproximação de um lugar por sua ambiência.

Alguns mapas sonoros são mais radicais na proposta de priorizar o campo sensível da audição se abstendo de publicar imagem das localidades onde os sons foram registrados como, por exemplo, o Ecouter Paris, sound seeker (New York) e sons de Barcelona. Em muitos outros mapas, a  imagem vem como elemento que enriquece a experiência auditiva, como o Belfast sound map,  Tlatelolco hifi (Ciudad do México), Montreal sound map e Austin Music Map, para citar alguns. No de Austin, vídeos também fazem parte da portal. No de Belfast, eles abrem espaço para a escrita, publicando pequenos relatos sobre o local da gravação sonora.

A interatividade é uma constante nessas ferramentas, onde podemos encontrar um arquivo sonoro dinâmico e embarcar numa experiência estética e sensível. Alguns mapas servem como ferramenta para análise de paisagens sonoras, como plataforma para publicação de resultados de projetos que envolvam o sonoro, como elemento de formação técnica e também para conscientização sobre os sons que nos cercam.

A escuta pode se dar de forma randômica, por tags, data, locação, categorias sonoras ou de modo cego, sem que haja nenhuma predefinição de tipologias. Você escolhe o passeio. Muitos são abertos a colaboradores e abrem os arquivos para download. Cada mapa tem a sua proposta, a única condição é a predisposição a ouvir. Para fruir mapas sonoros é preciso se deixar levar pela temporalidade da escuta. Vamos?

Claudia Holanda
Cantora, compositora e jornalista. Faz atualmente doutorado na UFRJ sobre paisagem sonora. Se interessa por música, comunicação, mapas sonoros e formas de politizar as tecnologias.

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