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British library: sound maps to create and disseminate collections

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Em se tratando de arquivos e mapas sonoros, é interessante conhecer o projeto da biblioteca britânica: British LIbrary Sound  (http://sounds.bl.uk/). São mais de 60 mil registros de música clássica e popular, depoimentos (sobre arte, história da gravação sonora e de sobreviventes da guerra), gravações de ambientes urbanos e naturais. Há ainda os diálogos do Listening Project, iniciado em 2012, onde pessoas foram convidadas a dividir uma conversacom amigos próximos ou parentes com objetivo de perceber como são as relações hoje em dia através dos discursos.

A biblioteca hospeda atualmente nove soundmaps, o que faz pensar sobre os usos dessa ferramenta e como o som pode ser pesquisado e entendido. Os mapas disponíveis na página são: Accents & Dialects; Uganda recordings; Wildlife Recordings; Soundscapes; Music from India; Jewish survivors of the Holocaust; Traditional music in England; Your accents e UK Soundmap. Em parceria com o National Trust, National Trust for Scotland e audioBoom, estão produzindo o mapa sonoro da costa marítima do Reino Unido, o Sounds of our Shores.

O UK soundmap se declara como o primeiro mapa sonoro da nação. A instituição pediu para que as pessoas gravassem sons do ambiente, seja em casa, no trabalho ou em momentos de diversão. Mais de dois mil registros foram enviados por cerca de 350 contribuidores entre julho de 2010 a julho de 2011, quando encerrou o período de coleta sonora, pois a ideia era formar uma coleção permanente e acessível de como a Grã-Bretanha soou em 2010 e 2011.

Ian Rawes – autor do London Sound Survey  – trabalhou no UK sound map. Segundo suas observações, cerca de 80% das gravações foram feitas usando telefones celulares. Os outros 20% envolvem uma gama de dispositivos com gravadores digitais de áudio portáteis. Uma parte importante do trabalho foi ouvir cada gravação do início ao fim e detalhar onde e quando cada gravação foi feita, o dispositivo de gravação utilizado, e sobre o que é a gravação, o que tornou possível compilar estatísticas descritivas que resumem o conteúdo do Reino Unido Soundmap. Ainda segundo Rawes, a voz humana é o tipo de som mais comum, aparecendo em cerca de metade de todas as gravações. O ruído do tráfego aparece em um quinto das gravações. Pássaros são ouvidos em 16%, passos em 15%, sirenes, sinais sonoros e sinos em 11%, e música ao vivo em 8%. Dos quatro elementos, água exerceu o maior fascínio para os contribuintes, e está representado no UK Soundmap em todos os seus estados.

O mapa que retrata sotaques da língua inglesa – your accents – é resultado da mostra “Evolving English: one language, many voices”, onde pessoas de várias partes do mundo, inclusive Brasil, gravaram trechos de textos e palavras em inglês. Os participantes podiam ler a história infantil Mr. Tickle (Roger Hargreaves, 1971) ou uma lista de seis palavras, para ajudar a capturar os sotaques do inglês contemporâneo. Relativo ao mesmo tema, há ainda o mapa sonoro Accents & Dialects, reunindo gravações da BBC Voices, Millennium Memory Bank, Survey of English Dialects and Berliner Lautarchiv British & Commonwealth recordings.

ShowImage.ashxImpossível não ser tocado ao mergulhar nas vozes de judeus que sobreviveram ao Holocausto no Jewish survivors of the Holocaust, narrando experiências no gueto, nos campos de concentração e histórias de fuga. Os áudios são acompanhados de uma ficha técnica com uma curta biografia do entrevistado e um resumo do relato. Essa coleção é formada por entrevistas de dois projetos de história oral: the Living Memory of the Jewish Community e the Holocaust Survivors’ Centre Interviews.

Todos os mapas seguem o mesmo design e utilizam a base cartográfica do Google maps. O que difere entre eles além da temática é o processo de produção e compilação dos registros sonoros. Os mapas sonoros são usados nesses exemplos como uma plataforma para criar, registrar, organizar, difundir e também visualizar acervos, itens importantes para instituições que tratam de memória como é o caso da biblioteca britânica.

Claudia Holanda
Cantora, compositora e jornalista. Faz atualmente doutorado na UFRJ sobre paisagem sonora. Se interessa por música, comunicação, mapas sonoros e formas de politizar as tecnologias.

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